terça-feira, 27 de abril de 2010

MINA

Aqui desço e sinto o peso do planeta que me condena

Respiro terra que não me pertence e que me asfixia

A escassa luz mostra-me a morte dos vivos

Escondo toda a vida numa profunda caverna.


Quero viver lá em cima e voar sonhando

Com asas de liberdade e sentir o ar fresco

Das madrugadas impossíveis de ser vividas

Adorava ser uma alegre criança brincando.


A minha enorme raiva de não estar contigo

De não poder mostrar e ensinar aos meus filhos

Um caminho de sol, flores e sorrisos

Um mundo melhor que fosse nosso amigo.


Transpiro sangue com palavras roucas e dói-me respirar

A escuridão turva cresce e aperta-me a alma

A pouca luz que nos cega não mostra qualquer caminho

De um futuro que nunca mais poderemos alcançar.

1 comentário:

Ana disse...

O poema está lindo, com muita força.
Continua que as tuas palavras são tão belas, ou mais ainda, que as tuas imagens.